15 de abr de 2018

Para Marielle


Bang bang bang e lá se foi uma vida.
Qual o preço que ela tinha?
Valia mais que uma assinatura do Netflix?
Valia menos que um anúncio no Facebook?
Valia tanto quanto um saco de Ração Prime para seu pet?
Vale nada, diz o cara que mandou matar.
Mas valia muito, pensava ele
Cá com seus botões e insígnias marciais.
Valia tanto, que tinha que acabar.
Bang bang bang, a cervejinha pra comemorar.
Saúde!
Mas não olhe para trás, lá vem a vidinha de novo.
Multiplicada, expandida, uma em muitas vidas,
Lá vem ela e mais todas as outras,
Milhares de pés nas ruas fazem bang bang bang....
Corre, carrasco, corre!
Bang bang bang

Grota do Junco, 15.03.2018

19 de ago de 2017

Filo-lab I - A Ética




A ética bateu no último obstáculo
E caiu estatelada no ridículo.
Rodou perdida em situação crítica
E se afundou em céticas tiradas.

Sem óculos e sem tato,
Esbarrou na ótica sêmica
[muito semi e pouco ótica]
Meio cega, meio idiota.

A ética - caótica, covarde e cínica -
Fechou o dialogo
E fingiu abalo sísmico.


dedicado aos "dias de hoje" ..... e de sempre
Grota do Junco, Julho de 2017

6 de out de 2015

Então...



Viver é ir esperando por milagres…
E milagre é tudo o que está além do possível.
Então, viver é esperar pelo impossível.
Se deixarmos de esperar pelo impossível, morremos?

Viena, setembro de 2015

29 de jul de 2015

Um pedido

Vem, senta neste banco,
Pega seu cigarrinho de palha,
Olha bem para nós,
Conta-nos uma história.

Conta sobre o que é
E o que não é,
A sua verdade e a sua mentira.

Descansa seu olhar sobre nossos corpos
Velhos, brancos, flácidos e frios
E deixa-nos sonhar que somos,
Ainda que não queiramos,
 
Seres civilizados.

sem data



8 de jun de 2015

Boat People (A Game of Mirrors



Am I what they are not?
And what if I am,
Who cares?

Here I am one of them.
Above or under water,
They are none but me.
And I don’t know how to swim…

Why the water, why the sea?
Not enough of what I see:
Rape, shots and robbery.

When they came did I ask
“What is mine, dear Sir?
Tell me now:  what is yours?”
A piece of land, a precious stone, dark oil, hard wood –
Belonging to you, belonging to me?

Look, look!
They brought to us:
Mirrors, diseases and hand-me-downs.
Rifle in hand, foot of steel, here they are
And have always been.
A WILL like theirs is not my will.
What do I know?
And still…

Arms and legs and head and feet,
Here is the water,
My body just sinks.
Deep down, deep down, is there a THERE which is mine, which is yours?

I want to go where they came from
I WANT TO GO WHERE THEY CAME FROM!
Vienna, June 8th 2015

1 de set de 2014

Paradoxo



Nunca estou aonde estou,
Nunca penso o que eu penso.
Nunca sinto o que eu sinto,
Nunca posso o que eu posso.

No silencio do tumulto
Vozes voam pelo espaço.
Sons perdidos, tudo escuro,
Nunca faço o que eu faço.

Fico aqui no meu silencio,
Uma dor abrindo os olhos.
Penso nunca no que penso,
Fecho o corpo e me recolho.

Assim em você pensando,
Vou seguindo um paradoxo:
Penso em mim, em você penso,
Nesta estrada sem espaço.
Não procuro o que procuro,
Nunca acho o que eu acho.

Viena, agosto de 2014